O que está acontecendo com o mercado de e-commerce?

Nas últimas semanas presenciamos alguns acontecimentos no mercado do e-commerce que não eram esperados. Encerramento de atividades, compra e venda de e-commerces grandes, e com todo esse movimento, o que está acontecendo com o mercado de e-commerce?

 

Este tema foi discutido em uma LIVE no Instagram pelo especialista Thiago Sarraf com a participação especial do Patrick Marquart, diretor de vendas na VTEX.

Acompanhe o Thiago Sarraf pelas redes sociais e saiba quando teremos outras lives para discussão de temas recentes.

 

Recentemente tivemos a notícia repentina do encerramento das atividades do Wallmart no meio digital e a notícia do encerramento do e-commerce da rede de supermercados DIA, ao final de maio.

E também sobre a compra do Netshoes pelo Magazine Luiza e do Buscapé pelo Zoom.

 

Pesquisas mostram sim, o crescimento dos e-commerces e de usuários que compram pela internet, mas então, porque lojas virtuais grandes estão fechando?

 

Leia mais sobre os Dados do Compre e Confie: perspectivas de mercado.

 

“O consumo brasileiro não está consolidado”

 

É um fato que os dados sobre e-commerce mostram o crescimento desse segmento de compras.

Mas, é preciso entender os momentos pelo qual o mercado está passando. Há uns dois anos, pelo menos 30% dos contatos da minha consultoria são para montar Marketplaces.

Não é um mercado fácil, a exemplo do encerramento do marketplace do Wallmart.

 

Esses acontecimentos, no entanto, são importantes para a consolidação do mercado de e-commerce brasileiro.

Em uma matéria sobre as Lojas Americanas, dizia que houve o maior faturamento da história dela, sem presença online. Não estamos dizendo que o e-commerce não funciona, mas sim, que são modelos diferentes.

 

Não basta ser uma grande rede física, se não souber trabalhar o virtual. Não se adequando ao modelo, as vendas não acontecem.

Aliás, esse “modelo” a ser seguido vale para grandes lojas online também. Temos dois grandes exemplos recentes que são a Netshoes e o Buscapé.

 

Na ultima semana a Netshoes foi comprada pelo Magazine Luiza e o Zoom comprou o concorrente Buscapé.

 

“Gestão é um tema complicado”

 

Patrick participou da primeira operação do Carrefour.com e lembra que gestão era um tema complicado lá dentro.

A empresa era muito grande para a gestão dar conta de gerenciar tudo, ou seja, o foco centrava-se tanto em vendas, mas no final das contas não conseguiam calcular sequer a margem.

 

As mudanças na gerência acabaram virando algo parecido como um jogo de futebol. Em um momento determinado jogador fica supervalorizado, o passe cresce e ele acaba indo para outro time.

Então entra outro jogador não tão conhecido no lugar deste e assim por diante.

Em outras palavras, não vemos continuidade no pensamento.

 

Mas, como sustentar isso? São tantos players, mas parece que são poucas pessoas no mercado que são realmente capazes de fazer o negócio andar.

 

“Menos é mais”

 

Temos que ser simples e primeiro de tudo, fazer o arroz com feijão.

Antes de pensar em abrir um marketplace, temos que pensar em ser lojista. E a partir do momento em que resolvermos bem a operação lojista, vamos pensar em varejo, atacado, distribuição e depois pensaremos em marketplace. Até mesmo porque não existe essa cultura dentro da empresa.

 

Mais do que contratar um cara experiente de um ramo totalmente diferente daquele que será o negócio, qualifique sua equipe.

 

Operação financeira não saudável

 

Lembram-se do case do Compra Fácil?

Na época aconteceu uma operação financeira não saudável, eram muitas promoções, frete grátis, parcelamentos longos e assim por diante.

 

E se formos olhar os casos recentes é praticamente a mesma coisa. Para o DIA estar fechando, a operação financeira não está saudável. Se a XP investimentos for compra-los, provavelmente será por oportunidade: vai comprar por um preço barato e vender por mais ou viver desse valor.

 

Wallmart passa por questões financeiras, ainda mais porque fechou um grande número de lojas físicas no Brasil. Mesmo nas lojas em si, o número de produtos e estoque ficou bem reduzido.

 

O Buscapé não estava em uma boa perspectiva de crescimento, perdendo um grande número de gestores. Além do modelo de negócio questionável que confundia os usuários.

 

Sarraf comenta que os marketplaces e qualquer comércio passam um por certo ciclo: plantar, semear, colher e usufruir. Os negócios online fecham

 

“Será o fim dos revendedores?”

 

Não acredito que seja fim do revendedor, mas acredito que tenha acabado mercado para quem trabalha mal.

Não é possível fazer revenda por fazer, pois cada vez mais as pessoas estão buscando serviços e experiências, por isso é necessário a margem para sustentar por mais tempo a operação.

 

O Brasil precisa de um modelo de marketplace, até pela quantidade de empresas pequenas e muitas ainda serem informais, e para ganhar força perante a concorrência, ela depende do modelo do marketplace.

 

O modelo marketplace é a estratégia para os pequenos e médios varejos entrarem no mercado e-commerce e haver crescimento no ramo.

Muitos e-commerces tem mais de 50% de seus faturamentos através dos marketplaces, e o que acontece quando a regra muda ou, como no caso do Wallmart, fecha, é que o faturamento cai e o vendedor acaba saindo sem informações de clientes.

 

Ou seja, não podemos depender apenas e exclusivamente dos marketplaces. É preciso sentar, pensar em uma estratégia e gerar tráfego para sua loja própria e tentar vender diretamente.

 

Não que o marketplace seja um modelo ruim, mas lá na frente, se acontece alguma coisa, sua loja fica sem cliente e você, sem faturamento.

 

Saiba mais

Thiago Sarraf e Patrick Marquart responderam diversas perguntas feitas pela audiência e aprofundaram-se em outros temas.

Apenas uma parte da LIVE foi transcrevida para este artigo, se quiser saber mais, disponibilizaremos o vídeo no Facebook e Linkedin do Thiago.

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